Tatu – Fenomenal atleta taubateano

Tatu o primeiro jogador com passagem pelo E. C. Taubaté a marcar gol com a camisa da Seleção Brasileira. Foi Campeão do Interior em 1919 pelo E. C. Taubaté, Tri campeão pelo Corinthians Paulista, Campeão Nacional com a camisa da Seleção Paulista e campeão sul-americano, defendendo a Seleção Brasileira.

TATU RECORTADO cópia

Altino Marcondes, o Tatu como ficou conhecido, foi um dos maiores atletas que defendeu as cores do E. C. Taubaté. Nascido em 16 de junho de 1898, na cidade de Taubaté, Altino Marcondes começou a defender o time de sua terra natal em 1916. Com destaque, participou da conquista do primeiro título de campeão do interior do E. C. Taubaté em 1919, ao lado de Paulinho, Ismael, Luiz Simi, Ernesto, Santinho, Porfírio, Evandalo, Sansoni, Jajá e Aristides e ainda, Lucídio, Floriano, Waldemiro e João Moura.

time campeão interior 1919 - Copia

EQUIPE DO E.C. TAUBATÉ DE 1919 XX

O então ponta esquerda de origem, se transformou em grande meia esquerda defendendo o SC Corinthians Paulistas de 1920 à 1925, Portuguesa Desportos, Vasco da Gama, Lázio da Itália, Seleção Paulista e Brasileira.

Tri campeão pelo Alvi Negro

Depois de ser considerado grande revelação vestindo a camisa do E. C. Taubaté, Tatu foi ganhar projeção defendendo o SC Corinthians Paulista, ganhando destaque no estado de São Paulo e no Brasil.

Em 1921 o setor ofensivo Corintiano, era formado com Américo, Neco, Gamba, Aparício e Basílio. O novato Tatu passou a ganhar condição de titular após revezamento com Aparício.

Em 1922 já como titular absoluto, formou o ataque com Peres, Neco, Gamba, Tatu e Rodrigues. Foi nesse ano de 22 que faturou o primeiro título defendendo o SC Corinthians Paulista, o campeonato do Centenário de Emancipação Política do Brasil.

Em 1923 o Bi campeonato foi conquistado com certa folga, quando ao final, a tabela de classificação apontava vantagem de 5 pontos em relação ao segundo colocado, o Palestra.

Em 1924 pintou o Tri campeonato, com gol de Tatu na partida final, vencida pelo Corinthians por 1X0 em cima do Paulistano que, na última rodada, estava empatado em pontos ganhos com o Alvi Negro. O jogo decisivo foi realizado em 21 de dezembro na casa do adversário, no Jardim América, capital paulista. Apesar de artilheiro pelo Corinthians, muito consideram esse gol da decisão, como o mais importante marcado por Tatu.

Foto Corinthians 1924 com crédito cópia

Na Seleção Brasileira

Em 1922, o atleta taubateano foi convocado para defender o selecionado brasileiro, sagrando-se campeão sul-americano.

Foram pelo menos cinco partidas com a camisa amarela, que aconteceram no Estádio das Laranjeiras – Rio de janeiro confira:

17.09 – Brasil 1X1 Chile – gols de Tatu (B) e  Bravo (C)

24.09 – Brasil 1X1 Paraguai – gols de Rivas (P) e  Amílcar (B)

01.10 – Brasil 0X0 Paraguai

15.10 – Brasil 2X0 Argentina – gols Neco (A) e Amílcar(B)

22.10 – Brasil 3X0 Paraguai – (decisão) gols de Neco, Formiga (2)

Seleção Paulista

A convocação para o selecionado paulista surgiu em 1923 na disputa do campeonato nacional, com vitórias diante do selecionado gaúcho pelo placar de 4X1, em jogo realizado no Parque Antártica. Em seguida, vitória sobre o selecionado do Paraná 5X1, em jogo realizado na Floresta. Na partida final nova vitória, desta vez contra os cariocas no campo do Fluminense FC, placar final 4X0, com três gols de Tatu e um de Feitiço.

Os campeões paulistas jogaram com: Primo (Palestra), Clodoaldo (Paulistano), e Bartô (São Bento); Sérgio (Paulistano), Amilcar (Coritnhians), e Arturzinho (Sírio); Neco (Corinthians), Heitor (Palestra), Friedenreich (Paulistano), Tatu (Corinthians) e Feitiço (São Bento). Nessa partida final, Tatu foi consagrado como grande atleta, não só pelos gols marcados, mas também pela bela apresentação.

Craque, driblador, gênio, acrobata, completo atacante, são algumas referencias que encontramos nas fontes de pesquisas, como Museu Municipal de Taubaté, HISTÓRIA (SC Corinthians Paulista), de autoria de DE VANEY, quando a referencia é o atleta taubateano Altino Marcondes, o Tatu.

Veja por exemplo trecho escrito por DE VANEY em seu livro, sobre a decisão do então chamado campeonato brasileiro de 1923, que na decisão, os Paulistas venceram os Cariocas pelo placar de 4X0:

“Naquela tarde, não só por haver marcado três dos quatro pontos que foram ter ao mostrador, mas, sobretudo, por ter sido um autêntico espetáculo, consolidava-se, definitivamente, no cenário do futebol brasileiro e sul-americano, uma de suas figuras mais expressivas: Altino Marcondes (Tatu)”.

Não poderíamos deixar de reproduzir o espetacular texto escrito por Oswaldo Barbosa Guisard, em seu livro “Taubaté no Aflorar do Século”, paginas 182 à 184, editado em 1974:

“ALTINO MARCONDES – TATU – O VIRTUOSE”

Em uma de nossas crônicas, dissemos, que em certa noite num intervalo do Odeon quando eram exibidos filmes do cinema mudo (citemos um que deixou saudades… Judex) houve uma debandada na assistência porque o gênio taubateano do futebol ia chegar no primeiro noturno paulista, vindo de Campinas. Mas o espetáculo no cinema continuou, naquelas noitadas românticas, com a Orquestra de Dona Licinia, Fego Camargo, Waldemiro, Sinhô, Chiquinho e outros músicos.

Na sua juventude, aos dezesseis anos, o irrequieto Tatu, deixou a sua casa paterna e ingressou numa companhia circense e partiu engajado como artista, barrista a acrobata saltador, fiel a uma irresistível vocação. Deixou Taubaté e foi correr mundo, como se diz na gíria. Aperfeiçoou os seus pendores artísticos e tornou-se emérito em sua profissão.

Finalmente, após essa aventura, foi para São Paulo onde ingressou no Corpo de Bombeiros e onde fazia misérias nas alturas, com suas acrobacias. Calmo e ao mesmo tempo arrojado, enfrentava quaisquer situações e perigos.

Incorporou-se também ao clube de futebol da Corporação, Herói das Chamas do qual foi vedete, chagando ao título de campeão da Segunda Divisão.

Concluído o seu tempo de engajamento e não se adaptando bem à vida militar, deixou-a pela vida civil, sem abandonar o futebol no qual revelou-se um gênio.

O Sport Clube Taubaté foi buscá-lo na veterana Ponte Preta.

 No dia seguinte à sua chegada pelo noturno, Tatu foi à tarde ao treino na Praça Monsenhor Silva Barros. Deu ao público que acorreu ao campo do Sport um maravilhoso show de futebol acrobático ou de acrobacia futebolística.

De entrada no campo, ao atravessar o pequeno portão (ainda não havia os túneis) imprimiu velocidade à corrida, deu o primeiro, o segundo, o terceiro salto mortal apoiado com as mãos na grama, completou-os com mais dois saltos sem mãos, e foi parar de pé no centro do gramado!

No treino deu sensacionais dribles nos que o combatiam, inclusive aplicando magistrais fintas, em plena e veloz carreira com a bola, numa original espécie, o chamado drible de corpo – que supomos tenha sido o criador, maravilhando os assistentes.

Quando acontecia de cair, voltava-se imediatamente em decúbito dorsal, erguia juntas as duas pernas como se fosse aplicar uma bicicleta, e num impulso acrobático, punha-se prontamente de pé, sem tocar o solo com as mãos, sem delas se utilizar.

Com espantosa facilidade controlava a bola, dono de incomparável agilidade, manobrando a pelota com os pés, primorosamente; forte, leal com o adversário, mas aceitando também qualquer provocação para o jogo bruto, para o jogo violento, foi até hoje o mais completo atacante que vimos atuar. Objetarão por exemplo, que hoje possuímos o Rei Pelé, com o que concordamos inteiramente em gênero e número. Mas, não existe a menor possibilidade de uma comparação, entre o futebol viril, vigoroso do passado com a marreta, o tranco legal a “charge” ou carga, a bola mais pesada e o futebol de hoje, completamente diverso do “association” antigo. Basta lembrarmos que o futebol antigo era esporte amador e hoje, o futebol é uma profissão.

Tatu foi simplesmente um mestre no lidar com a pelota. Taubaté, Corinthians Vasco e Portuguesa, seus últimos clubes.

Campeão taubateano, valeparaibano, paulista, brasileiro e sul americano, tinha como todos os campeões, um ou outro dia de performance menos feliz, mas foi sempre um espetáculo, nas suas exibições.

Pensando num impossível, desejaríamos vê-lo hoje ao lado de um Pelé, de um Rivelino, de um Leivinha na seleção brasileira campeã mundial.

Que maravilha! Que coisa fantástica! Seria a magnitude do futebol no mundo!

Altino Marcondes, o Tatu, faleceu em Taubaté, na rua Emílio Winther, em situação de penúria, vítima por impiedosa tuberculose pulmonar, numa época em que não havia anti-bióticos e outros tratamentos modernos contra o bacilo do Kock. Uma semana depois faleceu sua esposa vítima do mesmo terrível mal.

Os tempos são implacáveis; Fosse hoje, sem dúvida nenhuma, Altino Marcondes deixaria imensa fortuna, palácio com piscinas, envidraçadas à prova de balas, e jardim de inverno; altíssimas autoridades e impressionante massa popular acompanharam seu féretro! Eu vi! Numa tarde de sol escaldante, Altino com um pesado martelo assentava paralelepípedos na rua Visconde do Rio Branco. 3,30 da tarde! Jogou o paletó, no ombro direito sobre a camiseta de meia, puxou o boné e disse para o chefe da turma: – “O senhor dá licença? Eu vou agora. É hora do treino” e desceu para o campo do Sport.” Escreveu Oswaldo Barbosa Guisard.

Vitimado por uma tuberculose, Tatu faleceu em Taubaté  em 25 de maio de 1932

Esses, alguns registros encontrados sobre a importante carreira do atleta taubateano Tatu, que conquistou a cidade, o estado, o país e América do Sul.

A foto, Corinthians tricampeão em 1924: Gelino,  Rafael, Rueda, Colombo, Del Debbio, e Ciasca. Agachados: Peres, Neco, Pinheiro, Tatu e Rodrigues.

Moacir dos Santos

2 comentários sobre “Tatu – Fenomenal atleta taubateano

  1. Nossa, que sensacional essa história e essas fotos!!! Incrível mesmo!! Sou historiador e estava pesquisando sobre jogos de futebol nas festas de 13 de maio, achei uma matéria de A Gazeta de 1927 que falava do Tatú estava entre os melhores meias da história até então. Eu sabia um pouco da história dele no Corinthians, fiz a busca para ver o rosto dele e caí nesse blog. Estou encantado, queria ter mais informações sobre o E. C. Taubaté e do Tatú

    Este é o link para a matéria (pagina 6 do jornal) http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=763900&pasta=ano%20192&pesq=preto%20x%20branco&pagfis=25083

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