Há sessenta e cinco anos o E. C. Taubaté conquistava seu 1º título como equipe profissional

Em comemoração aos 65 anos da conquista do titulo de campeão da  2ª Divisão de Profissionais, relatamos aqui alguns momentos de alegria e muta festa vividos na cidade de Taubaté.

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Acompanhe:

O E. C. Taubaté fundado em 1914 conquistou seu primeiro titulo como profissional no campeonato de 1954. Anteriormente como amador, havia conquistado os campeonatos do Interior em 1919, 1926 e 1945. O profissionalismo veio através da Federação Paulista de Futebol em 1947.

SILVIO CARTA FPF 001 0014

Em pé: Santana (massagista), Rubens, Ivan , Can Can, Zé Américo, Ananias e Sérgio. Agachados: Sylvio, Antoninho Taino, Bertho, Benedito e Alcino.

Já em 47, na 1ª edição do campeonato da segunda divisão organizado pela Federação Paulista de Futebol, o E. C. Taubaté foi vice-campeão , atrás apenas um ponto do EC XV de Novembro de Piracicaba, mas apenas em 1948 que houve o primeiro acesso efetivo, inclusive o retorno da Lei do Acesso.

HÁ SESSENTA E CINCO ANOS O PRIMEIRO TÍTULO PROFISSIONAL

Foi exatamente em 26 de junho de 1955 a grande festa no estádio da Praça Monsenhor Silva Barros, conhecido carinhosamente como Campo do Bosque que o E. C. Taubaté conquistou seu primeiro titulo como equipe profissional.

O adversário da ultima partida foi o Botafogo de Ribeirão Preto, mas para chegar até o título, a equipe dirigida por Joaquim Loureiro teve que remar muito.

RELEMBRANDO

O Campeonato Paulista de 1954 em sua 8ª edição, contava com 19 equipes dividida em 3 séries denominadas: Série Piratininga, Anchieta e Nóbrega.

O E. C. Taubaté ficou na Série Piratininga  que contava ainda com EC São Bento, Paulista FC, AA Portuguesa, Rádium  EC e AE Velo Clube.

Jogos do E. C. Taubaté na 1ª fase – Série Piratininga 

1º turno                                                                         2º turno

19/12 – E. C. Taubaté 4 x 0 EC São Bento                13/02 – S Bento 1 x 1 E. C. Taubaté

26/12 – AE Velo Clube 2 x 4 E. C. Taubaté               27/02 – E. C. Taubaté 9 x 2 AE Velo Clube

02/1 – E. C. Taubaté 2 x 1 Paulista FC                      06/03 – Radium FC 0 x 0 E. C. Taubaté

16/01 – AA Portuguesa 1 x 1 E. C. Taubaté             03/03 – E. C. Taubaté 5 x 1 AA Portuguesa

23/01 – E. C. Taubaté 2 x 1 Radium FC                    27/03 – Paulista FC 3 x 2 E. C. Taubaté

Campanha: 10 jogos – 6 vitórias,  3 empates e 1 derrotas – 30 gols marcados e 12 gols sofridos

O regulamento previa que as duas melhores equipes de casa Série passaria para a outra faze. O E. C. Taubaté foi o campeão em sua Série tendo o São Bento como 2º colocado.

Nas demais Séries garantiram vagas as equipes do Araçatuba e Tupã pela Série Anchieta e Botafogo e Comercial pela Série Nóbrega.

A 1ª fase terminou no mês de março de 1954 e somente em maio de 1955 a 2ª fase teve inicio.

Abertura da Fase Final

Com as duas melhores equipes de cada grupo classificadas, teve início a fase final, também conhecida como Torneio dos Finalistas. A lógica era simples: os seis times jogariam entre si em turno e returno, e a equipe que somasse o maior número de pontos seria a campeã e teria o acesso garantido na elite do campeonato Paulista na próxima edição.

O jogo de abertura do Taubaté nesta etapa foi marcado para o dia 1º de maio de 1955, no Campo do Bosque. O adversário para o duelo era o Comercial de Ribeirão Preto, que na primeira fase havia terminado em segundo lugar de sua Série, com 12 pontos, superando a terceira colocada Ferroviária em um torneio de desempate.

foi nessa partida contra o Comercial que surgiu o apelido do Burro da Central. Mas  Detalhes desse tema você acompanha mais abaixo no texto.

Com bons jogos marcados por ocorrências e denuncia de suborno, o E. C. Taubaté mostrou aos adversários porque era chamado de Gigante do Vale.

2ª fase – Torneio dos Finalistas

1º turno                                                                     2º turno

01/05 – E. C. Taubaté 6 x 3 Comercial FC (¹*)     05/06 – Comercial FC 0 x 0 E. C. Taubaté

08/05 – Araçatuba EC 2 x 2 E. C. Taubaté            09/06 – E. C. Taubaté 1 x 0 Araçatuba EC

15/05 – E. C. Taubaté 2 x 1 EC São Bento             12/6 – EC São Bento 2 x 1 E. C. Taubaté

22/05 –  E. C. Taubaté 4 x 0 Tupã FC                      19/06 -Tupã FC 2 x 4 E. C. Taubaté (²*)

29/05 – Botafogo FC 1 x 3 E. C. Taubaté                26/06 – E. C. Taubaté 4 x 1 Botafogo FC (³*)

Campanha: 10 jogos – 6 vitórias,  2 empates e 2 derrotas – 27 gols marcados e 12 gols sofridos

Ao final a classificação mostrou

1º – E. C. Taubaté – CAMPEÃO    14 pontos

2º Comercial                                     13 pontos

3º EC São Bento                                11 pontos

4º Botafogo FC                                   09 pontos

5º Araçatuba EC                                09 pontos

6ª Tupã FC                                          04 pontos

FASE FINAL TUMULTUADA

A 2ª fase ou  Torneio dos Finalistas apontou registros curiosos

(*¹) O APELIDO BURRO DA CENTRAL

  Na abertura da fase, o E. C. Taubaté recebeu o Comercial de Ribeirão Preto e aplicou uma sonora goleada de 6 x 3, gols de: 1º Tempo – Mairiporã (C), Taino (T), Benedito (T), Benedito (T), Mairiporã (C)  –  2º Tempo – Benedito (T)’, Mairiporã (C), Benedito (T), Berto (T), Benedito (T) .

Ocorre que o jogador Alcino do E. C. Taubaté estava com seu contrato vencido desde 15 de abril junto a FPF e por isso, em condição irregular para atuar naquela partida.

Depois que o caso se tornou publico, forte comentários surgiram da possibilidade do E. C. Taubaté perder os pontos conquistado no campo e foi o que aconteceu. Durante todo o jogo de volta contra o Comercial, torcedores gritavam burro….burro….burro… tentando abalar a equipe taubateana, mas não funcionou, o placar ficou no empate 0 a 0

À época, o presidente Joaquim de Morais Filho lamentou muito o ocorrido e chegou a comentar o caso nas paginas do jornal.

E. C. Taubaté vence o Comercial e perde os pontos por irregularidade no contrato de Alcino Joaquim de Morais Filho fala sobre o assunto.

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Tribunal da Justiça Desportiva multou o E. C. Taubaté em 100 cruzeiros pelo caso do atleta Alcino

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BURRO DA CENTRAL

O E. C. Taubaté realizou uma campanha brilhante,  mesmo perdendo os pontos para o concorrente.  Nos dias seguintes do jogo contra o Comercial, os dirigentes taubateanos foram taxados de burros por ter colocado em campo um jogador com documentação irregular. Foi momentos de nervosismo e desapontamento para todos. Afinal em uma fase final, jogando em casa, ganhar em campo e perder os pontos, era um fato inexplicável. O assunto virou motivo de chacota para os rivais.

Os jogadores, em busca de acalmar o ambiente para os próximos jogos, prometeram mais luta e disposição em busca do título, conforme consta da publicação do depoimento de Joaquim de Morais Filho.

E o Gigante do Vale se tornou mais forte, conquistando vitórias dentro e fora de casa e a confiança era tanta que torcedores e dirigentes levaram um burrinho no campo no dia do jogo final contra o Botafogo, mostrando a força do Burro revelando que a partir daquele ano, o Burro seria o mascote do E. C. Taubaté.

O jornal Gazeta Esportiva não perdeu a oportunidade e após a vitoria diante do Botafogo, com o título de campeão assegurado pelo E. C. Taubaté, publicou uma charge  chamando o Taubaté de Burro da Centra, sendo o novo membro da 1ª divisão da FPF.

O apelido Burro da Central caiu no gosto do torcedor taubateano, especialmente por ter vindo em um momento oportuno, com o time terminando  campeão. A torcida adotou carinhosamente o burro como mascote do clube. apelido esse que acabou sendo perpetuado.

CHARGE DO BURRO DA CENTRAL 01

Outros fatos fora campo que marcaram esse campeonato

(²*) EC Taubaté 4×2 Tupã FC  – MARMELADA

Essa partida também entrou para a historia. A vitória de 4 a 2 colocava o E. C. Taubaté com a mão na Taça de Campeão, pois, bastava outra vitória em casa diante do Botafogo para garantir o título e o acesso.

Mas o brilho dessa importante vitoria em Tupã foi ofuscado. O Tupã de maneira imprudente colocou em campo, o ponteiro esquerdo Henrique suspenso, portanto, sem condições de jogo. Mesmo que vencesse o jogo o Tupã perderia os pontos para o E. C. Taubaté. O então presidente do clube, Sr. Mauro Pacheco Alves justificou que o Tupã não poderia ter o acesso pois, não reunia condições financeira para ampliar estádio para atender as exigências da FPF. O técnico Cid Ribeiro do Val havia pedido demissão e o ambiente não era dos melhores.

Segundo informações colidas pelo jornal Diário da Noite, Henrique se negou a entrar em campo, mas foi obrigado pelos dirigentes, caso contrário receberia uma multa em seus vencimentos.  Rumores na época, também envolveram outro jogador,  o goleiro Sorocaba titular da equipe, que se recusou a jogar,  ao tomar conhecimento do fato, ficando fora da partida. Em seu lugar jogou Seixas. Há registro que dão conta que o presidente, sabendo que Sorocaba não jogaria, chegou a pedir para ele dirigir a equipe. Sorocaba manteve a decisão de não participar do jogo e também recusou o cargo de técnico interino.

Punição

Os concorrentes, exigiam do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol punição não só ao Tupã mas também ao E. C. Taubaté.

Sabe se que o Tupã recebeu suspensão de 360 dias e toda a diretoria do clube foi substituída dias depois.

VEJA A MATÉRIA SOBRE O OCORRIDO NO JORNAL DIÁRIO DA NOITE.

EM TUPÃ RE

O presidente Joaquim de Morais Filho responde a altura

“Só posso compreender o fato como prova dos interesses inconfessáveis dos que não desejam e lutam ingloriamente pela morte da Lei do Acesso. Revela essa falsidade, apenas, o desequilíbrio moral de jornalistas que traem sua profissão”, declarou ao jornal Diário da Noite edição de 05 de julho de 1955 que apresenta a matéria com a manchete: O Taubaté está acima de todas as calúnias.

NA ULTIMA RODADA E. C. TAUBATÉ GOLEIA

O BOTAFOGO FC E CONQUISTA O TÍTULO

SILVIO CARTA FPF 001 0012

Bertho cumprimenta o capitão botafoguense observado pelo árbitro e auxiliares momentos antes do inicio da partida.

Depois de vencer o Tupã fora de casa, o E. C. Taubaté tinha como adversário na ultima rodada o Botafogo de Ribeirão Preto. Bastava uma vitória simples para o Taubaté conquistar o tão sonhado acesso á 1ª Divisão do Futebol Paulista.

E com muita garra e entusiasmo os comandados pelo técnico Joaquim Loureiro não deram chance para o adversário e já no primeiro tempo, vencia por 2 a 0, gols de Bertho aos 12 minutos e  Sylvio aos 33. No segundo tempo, ampliou para 3 a 0 com gol de Benedito logo no inicio da etapa final, aos 6 minutos. O Botafogo tentou uma reação com Perseu aos 15 minutos, mas Benedito se encarregou de dar números finais ao placar aos 34 minutos fazendo 4 a 1.

OS GOLS (as fotos foram cedidas pelo saudoso ex-atleta e campeão Sylvio)

1º gol de Berto

Bertho aproveita uma cabeçada de Benedito e abre a contagem. Cá entre nós, parece que usou a mão para desviar a bola do goleiro.

Na foto seguinte, fica evidente o toque com a mão direita, no flagrante de Piro II – Gazeta Esportiva

com a mão mais nitida

Gol confirmado então vamos a comemoração

2º gol Sylvio sequencia comemoração

18 - 26.06.55 - Gol do Silvio - Taubaté X Botafogo

 

2º gol Sylvio

O 2º gol, o goleiro Enio rebate um forte tiro de Bertho e Sylvio aproveita para ampliar

3º gol Berto

É possível perceber a total lotação do estádio. Torcedores buscaram acomodações até em cima do muro do estádio

4º gol Berto

Obs: apesar de estar registrado na foto como o 4º gol,  parece ser outro lance, visto que o quarto gol surgiu no segundo tempo, portanto no gol dos portões de entrada da arquibancada, ou seja no mesmo gol em que Benedito assinalou o 3º gol. .

Ficha Técnica

10ª Rodada – Torneio dos Finalistas

Data: 26.06.1955

EC Taubaté 4×1 Botafogo FC
Local: Campo do Bosque – Renda: Cr$ 113.600,00

EC Taubaté: Sérgio, Rubens e Ananias; Can-Can, Zé Américo e Ivan; Alcino, Taino, Berto, Benedito e Sylvio – Técnico: Joaquim Loureiro

Botafogo FC: Enio, Fonseca e Valtinho; Diógenes, Mário e Perseu; Neco, Brotero, Elvo, Américo e Doriva.

Gols: 1º Tempo – Berto (T) aos 12’, Sylvio (T) aos 33’; 2º Tempo – Benedito (T) aos 6’, Perseu (B) aos 15’, Benedito (T) aos 34’

Árbitro: Luís Bottini – Árbitros auxiliares: Stefan Walter Glanz e José Gois de Lima

Ocorrência: Mário do Botafogo foi expulso de campo por ofensa ao árbitro.

SILVIO CARTA FPF 001 011

A FESTA COMEÇOU NA MANHÃ DE DOMINGO

E TERMINOU NO FINAL DA NOITE

DIA DE FESTA NA CIDADE DESDE AS PRIMEIRAS HORAS

Domingo, 26 de junho de 1955, a cidade de Taubaté acordou mais cedo. Logo nas primeiras horas já havia torcedores nas imediações do estádio da Praça Monsenhor Silva Barros cantando e soltando fogos parecendo já estar comemorando a vitória que parecia certa.  Com o passar das horas, Caravanas de torcedores de outras cidades do Vale do Paraíba chegavam e se juntavam aos torcedores taubateano e grande festa. Por volta das 11 horas, os arredores do Campo do Bosque já estava tomado.

Enquanto isso, em função da grande amizade entre os dirigentes das duas equipes, dirigentes do E. C. Taubaté recepcionavam dirigentes do Botafogo FC, no salão social do Taubaté Country Club – TCC.

Às 13:00 horas, lotação máxima, não havia um só lugar vago no estádio da Praça Monsenhor Silva Barros.

No momento em que a equipe taubateana entrou em campo, a torcida fez um barulho ensurdecedor, taxado na época como nunca visto no futebol do interior

Conforme os gols iam saindo os torcedores aumentavam a alegria e a vontade de invadir o gramado.

BURRINHO DÁ VOLTA OLÍMPICA

burrinho

 

Assim que o jogo terminou, surge na porta do vestiário um Burrinho que é carregado pelos dirigentes e torcedores pra dentro do gramado já invadido pela torcida em festa. Uma multidão e a volta olímpica com burrinho e tudo. Atletas e dirigentes são abraçados e carregados.

 

 

 

SILVIO CARTA FPF 001 0013

Torcedores em festa carregam os atletas

 

Joaquim tem a camisa rasgada e perde a carteira

joaquim e rubens

Já com a camisa do E. C. Taubaté, Joaquim de Morais Filho abraça o atleta Rubens

 

Na euforia dos torcedores o presidente Joaquim de Morais Filho teve sua camisa amarela rasgada, camisa esta que usou nos dias de jogos do E. C. Taubaté durante todo o campeonato. Sem camisa, acabou vestindo uma camisa do E. C. Taubaté (foto). No festejo Joaquim acabou perdendo sua carteira com dinheiro e documentos, mas no final da festa ela foi encontrada e devolvida.

 

 

 

 

 

Do campo, os torcedores, jogadores e dirigentes iniciaram uma passeata até a Praça Dom Epaminondas onde a festa continuou até as tantas.

Esses alguns momentos de festa e alegria vividos na cidade de Taubaté naquele 26 de junho de 1955.

As fotos e as reproduções das fotos de jornais foram cedidas pelo ex-atleta e campeão Sylvio alguns anos, quando da visita que fiz em sua residencia.
consultas Jornais Diário da Noite (SP), Folha da Noite e Gazeta Esportiva (SP).

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