Aymoré Moreira – do E. C. Taubaté para a Seleção Brasileira – Parte 02

Em 1955 Aymoré Moreira chega ao E. C. Taubaté substituindo Joaquim Loureiro.

Em 1955 o futebol de Taubaté e da região vivia em festa com o primeiro ano do E. C. Taubaté fazendo parte do futebol de elite de São Paulo.

O Burro da Central como foi taxado pela imprensa paulista mostrava sua força e dirigido por Joaquim Loureiro, técnico campeão no campeonato anterior, já havia recebido adversários de expressões no futebol paulista como, Santos FC, SE Palmeiras, Portuguesa Desportos, Guarani FC, AA Ponte Preta.

Depois da 5ª rodada, após um empate em 3 a 3 com o Noroeste em Baurú, o técnico Joaquim Loureiro chamou de lado o presidente Joaquim de Morais Filho e informou sua preferencia em se manter na comissão técnica, mas na função de preparador físico.

Diante da situação e sem muito tempo para buscar um treinador, Joaquim de Morais Filho provisoriamente optou por uma solução caseira. Chamou o atleta Manduco e passou a missão a ele, que a partir da próxima rodada contra o CA Linense teria duas funções, técnico e atleta da equipe.

A busca pelo técnico estrategista

AYMORE PLANO TRAÇADO

Publicação Revista Placar 1961

Quatro rodadas foi o tempo necessário para Joaquim de Morais Filho ajustar a contratação do novo técnico, e para a surpresa de muitos, anunciou a chegada de Aymoré Moreira.

 Há registro que, como parte do pagamento  do valor das luvas, Aymoré recebeu um terreno (chácara)  nas imediações da Vila São Geraldo de propriedade de de Joaquim de Morais Filho.

Foi nessa chácara que Aymoré Moreira montou uma granja motivo de uma engraçada história. Mas essa história você poderá conferir ao final de nossa matéria.

Estreia contra o Tricolor Paulista

Aymoré Moreira assumiu a direção técnica e já em sua estreia recebeu no Campo do Bosque o São Paulo FC, conquistando um empate 1 a 1 , gols de Dino  para o Tricolor e Bertho para o Burrão.

Em 1955, a equipe do E. C. Taubaté terminou o certame em 8º lugar com 31 pontos perdidos. Seu ultimo jogo foi contra o Santos FC na Vila Belmiro na derrota 2 a 1, vitória essa que deu o título ao Santos FC.

Ao término do campeonato de 1955 que se encerrou em janeiro do ano seguinte, depois de dois amistosos, Aymoré Moreira deixou o E.C. Taubaté e foi dirigir a SE Palmeiras.

1956

Depois de comandar a SE Palmeiras, em 1956 Aymoré Moreira retorna ao comando da equipe do EC Taubaté, substituindo Demétrio Soares. Isso ocorreu na 5ª rodada, em partida disputada no Campo do Bosque contra a SE Palmeiras, sua ex-equipe. Placar 1 a 1.

1957

Nesse ano Aymoré Moreira não dirigiu o E. C. Taubaté. Durante a temporada ficou na SE Palmeiras.

1958

O técnico Aymoré Moreira chega no comando técnico do E. C. Taubaté pra início do campeonato paulista e já na abertura no chamado Torneio Inicio, enfrentou o Guarani FC de Campinas que tinha como técnico, seu irmão Ayrton Moreira. No jogo de 15 minutos x 15 minutos houve empate 0 a 0 e o Guarani passou para a outra faze vencendo o E. C. Taubaté pênaltis.

Aymoré Moreira permaneceu dirigindo a equipe até o final do campeonato, quando nos últimos dois compromissos jogando no campo do Bosque, goleou o Noroeste 5 a 2 e por fim o Guarani 3 a 0. O E. C. Taubaté terminou o campeonato em 9º lugar ao lado do Nacional AC com 40 pontos perdidos.

Equipe de 1958 (Contra o São Paulo 24.08.58)

Uma das formações da equipe taubateana do técnico Aymoré Moreira – 24.08.58.- EC Taubaté 1×2 São Paulo FC -Acervo: Moacir dos Santos

1959

Aymoré está de volta e desta vez desde a 1ª rodada do Campeonato Paulista e permanece até o final do certame paulista de 1959. Nesse ano, Aymoré foi um dos responsáveis pela vitoriosa excursão que o E. C. Taubaté realizou pelo Nordeste Brasileiro.

RETORNO EXCURSÃO AO NORDESTE IDENTIFICADA

Quando foi confirmada a temporada de amistoso do E.C. Taubaté em gramados do Nordeste do país, temeu-se pela sorte do “Burro da Central”. Afinal enfrentaria verdadeiros esquadrões daquela região, como Bahia, Náutico, Santa Cruz, Vitória, equipes temidas na época por São Paulo, Fluminense, Flamengo, Vasco da Gama etc.

Visitando quatro estados, o E.C. Taubaté realizou brilhante campanha. Foram 11 jogos em 22 dias, conquistando sete vitórias, três empates e apenas uma derrota. O ataque marcou 26 gols e a defesa sofreu 11. Bertho foi o artilheiro da equipe com 11 gols.

O melhor resultado foi em Recife na goleada de 5X1 diante do  “famoso” Santa Cruz. Bateu o Náutico e ainda o campeão baiano, pelo placar de 3X1, na disputa de um quadrangular que acabou não sendo decidido pela falta de data, ficando CR Flamengo e E.C. Taubaté em primeiro lugar.

CAMPANHA POSITIVA NO NORDESTE

03/03/59 – EC Taubaté 1 X 1 Santa Cruz – em Recife

05/03/59 – EC Taubaté 2 X 1 Náutico – Em Recife

07/03/59 – EC Taubaté 1 X 1 Campinense Club  – Em Campina Grande

08/03/59 – EC Taubaté 4 X 1 Treze FC de Campina Grande – Em Campina Grande

10/03/59 – EC Taubaté 3 X 2 América FC –  Em  Natal

12/03/59 – EC Taubaté 2 X 0 ABC FC – Em Natal

14/03/59 – EC Taubaté 3 X 0 América FC de Esperança

16/03/59 – EC Taubaté 0 X 1 Campinense Club – Em Campina Grande

17/03/59 – EC Taubaté 5 X 1 Santa Cruz FC – Em Recife

19/03/59 – EC Taubaté 2 X 2 EC Bahia – Em Salvador

22/03/59 – EC Taubaté 3 X 1 EC Vitória – Em Salvador

jantar no Taubaté coutry Club,aos atletas do E. C.Taubaté após excursão de 1959

Delegação taubateana homenageada no TCC Taubaté Country Club, após o retorno da excursão pelo Nordeste. Aymoré Moreira de frente ao lado de Morerinha – foto: acervo: Moacir dos Santos – foto cedida pelo saudoso Jorge Massagista –

1960

O técnico do E. C. Taubaté foi cedido para dirigir o selecionado paulista. Rubens Peliciotti assumiu a direção da equipe inclusive na excursão feita no Paraná no mês de janeiro, permanecendo até meados de fevereiro em partidas amistosas. Só para relembrar a seleção paulista dirigida por Aymoré Moreira nesse ano tinha dentre outros, os craques: Gilmar, Egídio, Olavo e Juths. Zito e Oreco; Dorval, Chinesinho, Bazzani, Pelé e Pepe. Essa foi a escalação da estreia nesse ano do selecionado paulista jogando em Salvador contra os Baianos em 19 de janeiro, com a vitória de 2 a 0, gols de Pepe, que tinha ainda, Getúlio, Zé Carlos (E.C. Taubaté) formiga, Julinho, Servílio e Tite.

O E. C. Taubaté encerrou o campeonato de 1960 na 11ª colocação com 38 pontos perdidos.

1961

Dando sequencia aos trabalhos, Aymoré Moreira iniciou o ano de 1961 dirigindo o Burro da Central. Afinal tinha contrato com o Clube até o mês de maio.

No entanto, desde o inicio de janeiro os noticiários de um novo técnico para dirigir a Seleção Brasileira começou a ter seu nome ventilado como favorito da CBF.

O técnico da Seleção Brasileira, Vicente Feola, o gorducho simpático, como era chamado, havia pedido demissão por não resistir a proposta do  futebol argentino, para dirigir o Boca Junior. Para substituí-lo existia uma lista de pelo menos sete concorrentes. Mas quem encabeçava a lista era o técnico do E. C. Taubaté. Apesar de não ter tido muito sucesso com o selecionado nacional no Sul-Americano em 1953, em 1962 tinha em seu currículo tetracampeonato brasileiro. Os nomes cotados eram: Aymoré Moreira, Osvaldo brandão, Jorge Vieira, Tomaz Soares da Silva (O Zizinho), Zezé Moreira, Luiz Alonso (o Lula) e Flávio Costa.

No mês de março houve reunião na antiga CBD – Confederação Brasileira de Futebol, com as presenças dos esportistas, João Havelange, Paulo Machado de Carvalho, João Mendonça Falcão, Antonio do Passo, Aymoré Moreira, Carlos Nascimento, Modesto Roma, Hilton Gosling e Paulo Amaral, quando ficou definido que Aymoré Moreira, técnico do E. C. Taubaté assumiria a direção técnica da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo no Chile no ano seguinte.

Na mesma reunião ficou também definida a comissão técnica da Seleção com: Técnico: Aymoré Moreira, Supervisor; Carlos Nascimento –  Preparador físico: Paulo Amaral – Médico: Dr. Hamilton Gosling – massagista: Mário Américo – roupeiro: Francisco de Assis.

Assim, Aymoré Moreira deixou o comando da equipe taubateana no final de março a cargo de Joaquim Loureiro que era o preparador físico.

Como tinha uma granja em uma das chácaras em Taubaté (próximo à Vila São Geraldo), em suas folgas no calendário de treinamentos da Seleção Brasileira, vinha à Taubaté cuidar dos negócios e de vez em quando até dirigia o time, como foi no jogo de estreia do campeonato paulista de 1961, quando o E. C. Taubaté enfrentou a Ferroviária em Araraquara.

1962

Em janeiro de 1962,  o “Biscoito” deixou o E. C. Taubaté para dirigir o São Paulo FC.  No inicio da temporada Samuel Lopes vindo do Fluminense do Rio, por indicação de Zezé Moreira foi contratado pelo E. C. Taubaté, permanecendo até o final de março, quando foi substituído por Rubens Peliciotti. Após a realização da Copa do Mundo, quando a Seleção Brasileira conquistou o Bicampeonato, Aymoré ficou valorizado.

Pelos nossos registros, após a Copa do Mundo, ele voltou a dirigir a equipe taubateana. Encontramos em jornais do mês de agosto registros que Aymoré sempre que podia estar na cidade auxiliava o técnico Rubens Peliciotti. Nesse ano, a campanha do Burro da Central não era nada atraente, o E. C. Taubaté estava nas ultimas colocações da tabela não conseguindo escapar da  zona do rebaixamento, caindo para a segunda divisão.

Pelos registros que possuímos e que ainda não são completos, Aymoré Moreira, nas temporadas de 1955/56/58/59/60/61/62, dirigiu a equipe do E. C. Taubaté em 176 oportunidades.

Homenagem

Após a realização da Copa do Mundo no Chile, o treinador foi homenageado pelo E. C. Taubaté quando, em um jantar oferecido pela diretoria realizada no mês de julho, Aymoré Moreira recebeu uma linda medalha que sua família guarda até os dias de hoje.

MEDALHA AYMORÉ

Medalha recebido por Aymoré Moreira durante homenagem – Arquivo família de Aymoré Moreira

Dr. Jorge Miguel Kather Neto Conselheiros do E. C. Taubaté, relembra a data da homenagem: “Nesse dia, Aymore Moreira chegou em Taubaté, desfilou em carro aberto pela cidade. Chegando na Praça Dom Epaminondas foi recebido por inúmeros torcedores, jogadores, diretoria e autoridades”.

Dr. Kather ainda acrescenta: me lembro que depois da Copa do Mundo, por várias vezes eu vi o Aymoré Moreira treinando o E. C. Taubaté, vestindo agasalho da antiga CBF usada na Copa do Mundo no Chile”.

Inúmeras outras homenagens recebeu o técnico Bicampeão do mundo. Algumas medalhas é guardada com carinho pela família de Aymoré Moreira até os dias de hoje, conforme algumas fotos cedidas pela família. 

 

DOIS FATOS CURIOSOS.

Aymoré Moreira era alegre e gostava de brincadeiras.

Um fato que ficou marcado, foi o sistema de alarme sonoro e iluminação que ele implantou em sua granja. Duas vezes por noite o alarme soava em alto volume e as luzes acendiam, acordando todo o galinheiro. A claridade da luz provocava a sensação do amanhecer do dia e, segundo a história, isso fazia com que as galinhas  botassem mais de uma vez ao dia.

Confira esse fato engraçado, relatado pelo então jornalista à época Bororé em artigo publicado na revista O Vale Esportivo de janeiro de 1959.

imOUTRO LADO DA VIDA DE AYMORE MOREIA

NO NORDESTE, MOREIRINHA PASSOU POR MÉDICO DO CLUBE

Um outro fato engraçado ocorreu durante a excursão pelo Nordeste, ele fez Moreirinha passar por médico.

A história relatada pelo próprio Moreirinha ocorreu em Campina Grande/PB.

“Os dirigentes do Treze FC ofereceram um jantar para os dirigentes taubateano, Álvaro de matos, Joaquim Moreira e Aymoré Moreira. Em certo momento, durante o jantar o presidente do Treze FC pediu licença pois tinha que sair para levar sua esposa ao médico, ela que não estava bem de saúde. De pronto, o Aymoré falou que se ele precisasse de um médico poderia contar com os meus serviços, pois eu era o médico da delegação. Eu não sabia o que fazer. Ainda bem que o presidente tinha um médico da família”, contou Moreirinha.

Você poderá conferir em detalhes esse depoimento do Moreirinha na entrevista que fizemos com Moreirinha em 1993, registrada no vídeo abaixo.

Como o vídeo é longo, a parte que fala desse episódio no Nordeste, você encontrará avançando a imagem até 20:06.

Vale a pena conferir.

Fica a nossa homenagem a esse grande técnico brasileiro, que por várias temporadas dirigiu o querido Esporte Clube Taubaté, como tantos outros, marcando seu nome na história do centenário Burro da Central.

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