Aparecida. Devotos percorrem quilômetros de Dutra para agradecer

Fé, Superação, Determinação são os principais pilares que motivam e encorajam os peregrinos que visitam a Basílica de Aparecida do Norte. O futebol do E. C. Taubaté sempre esteve presente na casa de Nossa Senhora agradecendo pelas conquistas.

Milhões de relatos de pessoas de toda a parte do mundo formam essa linda história religiosa. Algumas delas registradas em uma sala de Promessas criada no maior templo católico do Brasil e o segundo maior do mundo (o primeiro é o Vaticano).

Dentro do futebol foram inúmeras equipes e atletas que lá marcaram presença para agradecer conquistas de títulos, ou recuperação de atletas. O E. C. Taubaté também está escrito nessa história de fé.

Ronaldo O fenômeno

O ex-atleta profissional de futebol Ronaldo o fenômeno, chegou a visitar a Basílica em duas oportunidades. Com três sérias lesões no joelho com ameaça de ter que encerrar a carreira precocemente, o ídolo também mostrou seu lado de fé e confiança na Mãe do Brasil.

Quando já havia passado por duas cirurgias no joelho e com um prognóstico nada bom, Ronaldo corria o risco de fica fora da Copa do Mundo de 2002.  Em  2016 ele relembrou em uma entrevista concedida à ESPN desse momento,  e em outra oportunidade publicou em suas redes sociais: Dizem que os obstáculos existem para ver até onde vai a nossa fé. Por três vezes, lesões quase encerraram a minha carreira precocemente. Pra jogar a Copa de 2002, com os dois joelhos operados, precisei acreditar no que parecia impossível. Fiz uma promessa à Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional, e sou eternamente grato pelo milagre. Hoje, estou muito honrado com a notícia de que uma estátua minha está no acervo do primeiro museu de cera religioso do Brasil, inaugurado pelo santuário. E que nunca, jamais, em tempo algum, eu deixe de ter fé’”, publicou Ronaldo.

Depois da conquista da Copa do Mundo em 2002, o fenômeno retornou à Basílica, doou uma camisa da seleção autografada por ele, uma das bolas do Mundial e uma réplica, em cera, do joelho direito operado. As peças estão expostas na “Sala das Promessas” do Santuário.

foto: divulgação Basílica Nossa Senhora Aparecida

Zé Love

Zé Eduardo, o Zé Love, que em 2009, chegou a pensar em desistir da carreira também viveu seu momento de fé na Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

Foto: Zé Eduardo em Aparecida (Miguel Schincariol/GE.com)

Em 2009, o profissional carregava uma incerteza quanto a sua carreira. Despontado na SE Palmeiras, passou pelo São Caetano pelo América Mineiro e ABC de Natal, onde ficou sem receber salários, pensando em abandonar o futebol. Sua carreira deslanchou quando contratado pelo Santos FC assinou contrato  de quatro anos, seguindo posteriormente para o Genova da Itália.

Atacante santista visitou Santuário de Nossa Senhora para deixar a camisa do gol contra o Cerro Porteño, usada na conquista do título em 2011 da Copa Libertadores da América. A camisa está também exposta na “Sala das Promessas” do Santuário ao lado da foto do atacante e de outra camisa do Santos, que foram deixadas por sua mãe em 2010, antes da finalíssima da Copa do Brasil contra o Vitória.

E. C. Taubaté vai à Aparecida agradecer o ano de 1979

Em 1979, o E. C. Taubaté conquistou o título da Divisão Intermediária do Futebol Paulista. Atletas, Comissão Técnica, Dirigentes e torcedores, rumaram à pé até Aparecida para pagar uma promessa  que, segundo a história, promessa essa feita pelo zagueiro Buzuca que não acompanhou os demais atletas.

A foto a seguir foi a visita à Aparecida antes do início do campeonato.

Em cima: Ganga, Zizinho, Alfredo, Henrique Passos, Palhinha, Wagner e Tuca.
No meio Banha, Góes, Betinho, Amauri, Betão, Paulão, Clóvis Bueno, Valdir, Beto e Carlos Augusto. Em baixo: João Batista, Belini, Adilson, Bothu, Toninho Taino, Cleto e Julião.

Atletas no interior da Igreja após a conquista do título

Antônio Carlos, Betinho, Piorra, Caixote, Amauri, Cláudio Correia, Jovelino, …… e Ari. Alfredo, Joaldo, Bothu, Oscar Amaro, Mário e Dona Geralda (mãe do goleiro Wagner)

O goleiro Wagner um dos líderes do grupo de 1979 comentou: “A promessa era do Buzuca mas no dia ele sumiu, foi visitar familiares em Varginha em Minas Gerais” em seguida vem risos.

A CAMINHADA

Atletas, Comissão Técnica e alguns torcedores, na noite do dia 4 de dezembro de 1979 se reuniram próximo ao Terminal Rodoviário em Taubaté (às margens da Rodovia Presidente Dutra). Por volta das 22 horas iniciaram a caminhada até a Basílica recebendo apoio de familiares que seguiam em uma Perua Kombi. A chegada se deu por volta das 9 horas da manhã do dia seguinte.

O lateral Banha e o meia Toninho Taino comentaram: “O pessoal que seguia na Kombi nos abasteciam com agua, frutas e cerveja, afinal já tínhamos ganho o título e uma cervejinha ia muito bem

Aldo, Betinho, Alfredo, Mário, Ari, Paulão, Clóvis Bueno, Amauri, Oscar Amaro e Antônio Carlos. Agachados: Bothu, Wagner, Adilson, Jovelino, Cleto, Valdir e Luciano.

Agradecemos ao goleiro Wagner e ao lateral Banha pelas fotos pertencente aos seus arquivos pessoais.

DE TAUBATÉ PARTEM VÁRIOS GRUPOS TODOS OS ANOS

São vários grupos formados por amigos pessoais ou mesmo de empresas que se organizam para a tradicional caminhada até a Basílica de Aparecida.

Dentre eles um grupo de amigos que desde 1979 estão nessa missão de fé.

Grupo de Taubaté 1979 caminha todos os anos até Aparecida. Da esquerda para a direita. Carlos Júnior, Reginho, Alan Clay, Ricardinho e Carlinhos. Agachados Daniel Briet, Cristiano e Thales

O blog moataubate.com conversou com Cristiano Santos, assessor na empresa Loghis Logística, jornalista e torcedor do E. C. Taubaté um dos organizadores da caminhada.

Confira:

Você participa de um grupo que seguem à pé até Aparecida todos os anos. Quando isso começou e qual o objetivo?

Na verdade, a primeira vez que fui na caminhada foi em 1979, agradecendo pela baixa do serviço militar no segundo BEECOMB em Pindamonhangaba e também pelo acesso do Esporte Clube Taubaté à primeira divisão paulista. Vários foram os anos que participamos das Romarias, mas de 2017 para cá fomos com o mesmo grupo ininterruptamente, sempre agradecendo a Nossa Senhora da Aparecida pelas coisas maravilhosas em nossas vidas, como a família, a saúde e bem estar da comunidade”.

Em média, quantas pessoas formam esse grupo?

“Temos registrados a partir de 2017, apenas seis pessoas. Em 2018 foram 12 pessoas, em 2019 chegamos a 28 pessoas, este ano devido a pandemia e o próprio desestímulo das autoridades, houveram muitas desistências, mas mantivemos a mesma pegada de 2017, com a participação da base e mais três convidados que vieram de Mogi das Cruzes até Taubaté de automóvel e seguiram conosco na caminhada até Aparecida do Norte”.

Onde é o ponto de concentração de saída?

No início saíamos da Praça Monsenhor Silva Barros. Desde 2017 o ponto de encontro passou a ser no pátio da empresa Loghis Logística. Com Segurança, podemos nos preparar, concentrar, rezar, pedir proteção na caminhada, orar por aqueles que nos pedem para oferecer a nossa caminhada por intenções pessoais e interceder junto à Mãezinha, e após, e seguir para a caminhada”.

Existe um kit indispensável para levar? Quais são os itens?

Pela experiência de anos anteriores, criamos um kit indispensável, como lanternas com lâmpadas de léd mais leves possíveis, Tênis já usado e confortável, meia de algodão sem costura (no mínimo três pares para eventuais trocas), bermuda ou calça de agasalho em Tactel (também uma troca), Polvilho antisséptico Granado no pés, entre os dedos, dentro do tênis e nas partes com maior probabilidade de assaduras, como a virilha, por exemplo e uma capa de chuva. Barrinha de cerais, paçoquinha de amendoim, chocolate, suplemento e água. Tudo acondicionado em uma mochila, que deve estar bem ajustada às costas”.

Há um planejamento para o cumprimento do percurso? São quantas paradas? Tem algum carro de apoio?

“Desde a primeira caminhada, planejamos antecipadamente as paradas e sempre fazemos nos mesmos locais, onde somos muitos bem recebidos pelos profissionais, principalmente pelos frentistas dos postos de combustíveis. As paradas são de apenas 15 minutos, e este ano fizemos apenas três paradas. Sendo no primeiro trajeto o posto de combustíveis após a acesso principal de Pindamonhangaba, depois no primeiro posto de GNV após o pedágio e o ultimo no posto da Policia Rodoviária. Sempre temos um carro de apoio, e neste ano, devido a uma entorse no joelho já lesionado às vésperas da caminhada, resolvi utilizar meu carro próprio para servir de apoio. Abasteci com lanches naturais preparados pela minha esposa Ana Maria, frutas diversas e frescas, muita água, suplemento, gelo, toalhas, lanternas, anestésicos em spray, medicamentos comuns, faixas e gases, toalhas, roupas para trocas e minha bandeira do Esporte Clube Taubaté. E claro muita coragem, fé e esperança, pois parece que não, mas devido estar no carro de apoio sozinho, a tensão, a preocupação com todos e vontade que corra tudo bem durante a Romaria, causa muita ansiedade, que somada a falta de sono e a solidão aumenta o cansaço e estresse natural. Que se recupera com algumas horas de repouso”.

Qual a sensação da chegada?

O trajeto de 36,5 km tem alguns pontos mais desgastante como a subida do rio Una e também o ponto mais íngreme que é a subida de fronte a pedreira Serveng na cidade de Roseira, que devido ao cansaço de uma caminha até ali de 7 horas, fica mais difícil. A vontade e o desejo de chegar se aflora no momento que se avista a cúpula da Basílica Nacional. Mas a sensação maior é quando se atravessa o portão da Basílica, onde se caminha mais 800 metros até ao Santuário, e ao subir a rampa para o tradicional “Beijo” em Nossa Senhora da Aparecida, de joelhos agradecemos por mais uma ano de Romaria e rezamos pelas nossas famílias, pelos nossos amigos, pela nossa cidade e pelo nosso país. Que venha 2021″.

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