Taubatherium e o E. C. Taubaté

Recebi do meu amigo Dr. Paulo Pereira, o texto abaixo acompanhado de um vídeo que por sinal, de bom gosto.

Sou vidrado em história do futebol, especialmente do Burrão. Quando recebi esse material, procurei saber com o amigo qual era a origem quando me foi esclarecido que, um grupo de amigos no whatsApp formado, dentre eles,  pelo Dr. Paulo Pereira, Alfredo Abraão, o Mestre José Carlos Sebe, Hodges Danelli Filho,Dr. Jorge Miguel Kather Neto, Renato Teixeira e seu irmão Roberto Oliveira, Paulo de Tarso,  Ana Lúcia Favaretto, mantém contato diariamente, conversando sobre  assuntos variados.

O grupo batizado por Taubatherium tem a participação de mais de 70 pessoas amigas, espalhadas por todo o país.

Sempre que surge um tema interessando, ele é explorado entre os membros do grupo e dele surge algum registro. Em vários momentos, os registros são as próprias histórias dos membros do grupo ou de seus familiares.

O último assunto foi o E. C. Taubaté que originou o material que compartilho com todos os seguidores do meu blog e do facebook claro, com autorização do amigo Dr. Paulo Pereira.

O texto abaixo segue com o vídeo

Curtam

Desde os primórdios da humanidade há disputa esportiva. E, por consequência, torcidas.
O torcedor é aquele que gostaria de estar no lugar de quem está disputando, mas, por qualquer razão, não está. Então se identifica com o contendor e satisfaz a sua ansiedade no atleta que o representa, naquela competição.
É quase impossível um cidadão não torcer numa disputa. Andando por uma estrada e, de repente, um jogo de futebol. Se parar para ver, em pouco tempo já está torcendo por um dos times. Uma jogada interessante, a cor da camisa, um jogador que chame a atenção, qualquer coisa emociona o cidadão que passa a torcer por alguém que não conhece, nunca viu e, provavelmente, nunca mais verá.
Em Taubaté o motivo de maior emoção para o torcedor é o time do Esporte Clube Taubaté, o Esporte, para os mais chegados.
Não sei dos velhos tempos do time, como era a torcida. Me lembro de jogadores mais elitizados – Os irmãos Simi, Savério Ardito, Moacir Peixoto, etc. O futebol nasceu sendo um time das elites e eu não tenho informações sobre como as pessoas torciam nessa época.
Um pouco depois e o time já estava popularizado, com jogadores mais humildes, negros e até um presidiário, o Zezão. Dão, Avelino, Gagueijo, Pulga marcaram uma transição neste aspecto.
A geração seguinte já era mais profissionalizada e jogadores como Perruche, Otavinho, Pelado, Sanção e outros, prepararam o terreno para a geração de cinquenta e quatro, vitoriosa, empolgante, bem habilidosa que levou o time á primeira divisão no Estado de São Paulo.
Acredito que nesta época é que começou para valer a torcida do time. Ainda não “organizada”, com torcedores de todos os credos, mas se via o Campo do Bosque lotado de pessoas que gritavam nas arquibancadas.
A elite, inclusive composta pelos ex-jogadores citados, torcia na arquibancada coberta. Pessoas ilustres, políticos, artistas faziam parte dessa massa alviazul. Muitos nomes são lembrados, tais como o Sr. Sebe, pai do Professor José Carlos
Sebe, aparece em todas as fotos tiradas naquela época. Lolito, Wanderley da Ótica, Seu Nino e muitos outros tinham lugares fixos e jamais faltavam numa tarde de futebol.
Dois torcedores foram marcantes: Padre Rosa, com sua batina preta e quente, com seu chapéu e seu guarda-chuva, gritava feito um doido e se dispunha a usar o guarda-chuva como arma de ataque, se um adversário o provocasse: o outro foi o Dionízio que se tornou o torcedor símbolo, por ser o mais fanático, entre todos. É dele a famosa frase sobre o time do coração. Dizia, com seu sorriso escancarado que o “Taubaté é o grorioso arviazur do Vale”.
O time subiu, criou ídolos, venceu muito, revelou jogadores, mas, infelizmente, veio o fracasso. Caiu para a segunda divisão.
Já no estádio novo, o Joaquim de Moraes Filho, o time amargou anos sem disputar um campeonato. Houve quem dissesse que o calor da torcida, no tempo do Campo do Bosque, era o que impulsionava os jogadores. Este calor ficou mais distante num campo novo, bonito e moderno.
Mas, aquele vício de torcer por um time não acaba. Inventaram um torneio chamado “Integração do Vale” e novos ídolos foram surgindo: Banha, Baiano, Zil Grandão Franquinho, Mario Cri Cri, Niltinho…Pronto, estava armada a condição para novo time e nova torcida. O time se profissionalizou e em setenta e nove, num jogo memorável, no Parque Anthártica, as torcidas do Taubaté e de São José disputaram a palmos os lugares daquele estádio para elevarem os seus times. Antônio Carlos e Amaury marcaram os gols que fizeram a torcida do Esporte delirar, naquele dia.
Divisão nova, time novo, estádio moderno foram estímulos para a criação de uma torcida organizada como jamais existiu na cidade, a Explosão. Componentes barulhentos, com tambores, talcos, cheiro de bebidas, faziam a festa ao chegarem ao campo, normalmente lotado. Bebiam num boteco das proximidades até minutos antes do início das partidas. Chegavam arrepiando e iam espalhando aqueles inocentes que estavam bem acomodados, mas com o pecado de estarem sentados no lugar preferido por essa torcida. Era uma festa a chegada da Explosão.
Acho que foi a última “torcida organizada” do nosso time. Nos jogos atuais vemos torcedores esparsos, sem aquele entusiasmo e aquela alegria.
Pensando bem, está na hora de recriarmos esta instituição tão bonita e necessária para dar força ao nosso time.
Quem sabe, chamada “Taubatherium Explosivo.

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